O silêncio dos que sabem

  1. Quem entende do assunto ficou em silêncio

Com a ferramentalização do pensamento de marketing e a dispersão total da comunicação, silenciamos lideranças, pensadores, negócios e marcas. Esse processo criou a  sensação de que há uma nova realidade, uma nova e única maneira de ser fazer as coisas — e, principalmente, uma nova configuração de mercado que invalida tudo o que antes fez esse mesmo mercado prosperar.

Demos voz a todos mas também transferimos a responsabilidade de compromisso, pelo contexto, pela seriedade e pelo compromisso a qualquer um que tenha algo a dizer. E nos negócios, especialmente nos locais, isso teve um custo alto: o esvaziamento das estratégias que antes sustentavam resultados concretos.

Além disso, lideranças foram se esgotando diante da repetição incessante de ruídos — que quando somados, são uma força difícil de combater. Muitas marcas de grandes negócios deixaram de tratar a comunicação como parte estratégica do negócio e passaram a aceitar falsas verdades como “ninguém mais vê TV”, “todo mundo está na internet” ou “ninguém mais compra em loja física”. E, ao fazer isso, perderam o contato com a sensibilidade que sempre foi o diferencial dos negócios não regidos por modelos de gestão globalizados.

            Um dos maiores  trunfos das operações que não se rendem à cópia cega de modelos globalizados é justamente esse: a capacidade de enxergar com precisão a vida real de seus consumidores — e de identificar os sinais que indicam como eles vão se comportar, desejar e consumir no futuro.

            Mas muitos que viam o problema se formando — e sabiam do risco — se calaram. Faltava contexto para expor suas visões, faltavam pautas comuns para embasar seus pensamentos e espaços legítimos para discutir caminhos de prosperidade .

            Por omissão, permitimos que os que sabiam se calassem, e que os barulhentos falassem o que queriam.

Chegamos no limite desse esgotamento. Fortalecer os negócios locais é o único caminho sustentável  para para reconstruir e impulsionar o mercado interno. E isso só será possível com a comunicação ativa de líderes e marcas que sabem, na prática, o que isso significa, pois viveram essa construção.